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Utopias espaciais

por Luís Naves, em 29.11.15

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Gosto de explorar velhas colecções de imagens e de textos sobre como o passado imaginava o futuro. Há 150 anos, nos anos 50 e 60 do século XX, esteve na moda a ideia da colonização de Vénus e de Marte, os dois planetas que, nesse tempo, pareciam poder albergar a civilização humana. Vénus era imaginada como imensa floresta pantanosa e quente; Marte era um deserto onde os humanos poderiam subsistir com equipamentos rudimentares de respiração. Só nos anos 70 ou 80 do século XX esta literatura popular abandonou as facilidades: afinal, Vénus era o inverso do que se imaginara: não havia mulheres sensuais nem oceanos rasos; não havia répteis monstruosos, plantas devoradoras de homens ou estranhas florestas labirínticas, apenas um efeito de estufa infernal que evaporara toda a água da superfície. A desilusão em relação a Marte foi semelhante, depressa a cultura popular percebeu que o planeta perdera grande parte da sua atmosfera e que tentar respirar na superfície seria uma rápida condenação à morte. Os planos para terraformar Vénus avançam devagar, são mais complicados do que se pensava. O planeta Marte talvez possa ser alterado, mas o custo é proibitivo. Onde estão as utopias espaciais do nosso tempo? Em 2115, sonhamos com a descoberta de planetas extrassolares habitáveis e já existem candidatos, o mais próximos dos quais a 30 anos-luz de distância, bagatela cósmica que uma grande nave de tecnologia actual levaria pelo menos 600 anos a transpor.

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As obrigações da civilização global

por Luís Naves, em 28.11.15

As alianças de nações fortes têm a obrigação de controlar as mais fracas, sendo isto válido para regiões ou estados falhados, crises humanitárias ou crimes ecológicos. As guerras são globais, embora pareçam confinadas a espaços geográficos limitados. Globais no sentido de poderem ultrapassar as fronteiras dos países envolvidos, como tantas vezes aconteceu na história, mas sobretudo ao longo do século XXI. A insurreição de pastores num deserto pouco habitado pode tornar-se num problema geral. Por isso, não há guerras inofensivas, e por isso são urgentes as operações policiais de pacificação. Nos dois séculos passados, as nações guerreavam por recursos e para manterem a supremacia ideológica, o que hoje é ainda válido de certa forma, mas muito menos, pois os recursos perderam peso e as ideologias são uma amálgama. O futuro será a ausência de conflitos militares entre nações ou alianças, significando que a violência se exerce por outros meios. Daí que para a civilização global, que inclui a maioria do planeta habitado, qualquer guerra seja algo que vem de fora e que só se poderá expandir para dentro das nossas fronteiras. Sabemos que uma escaramuça remota pode ser o terrorismo de amanhã, que uma obscura desavença religiosa se pode transformar na falha tectónica que ameaçará a própria civilização. As guerras não se combatem apenas com soldados, mas com economia, leis, tecnologia, cultura e ideias. As alterações climáticas deslocaram vastas massas de gente e esbatem-se as ideologias que em vão tentam travar a modernidade. Em certos locais do mundo, as instituições colapsam e para os habitantes destas calamidades só resta a alternativa da fuga. 

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Até ao horizonte

por Luís Naves, em 21.11.15

O que escrevo é inútil, sei disso. A pureza não é do nosso tempo. Vivemos numa era em que a verdade passa por mil filtros. Esqueceremos para sempre a dignidade e preferiremos a vida da escravidão, submetidos pela ansiedade, a mentira e a repugnância. Temos a sociedade perfeita, equilibrada, segundo dizem os peritos, clones uns dos outros: só nos mostram o superficial, enquanto nos enganam com entretenimento, como fazem os malabaristas, ao explorarem as imperfeições do olhar. Quando subimos a um lugar elevado, podemos ver esta cidade a expandir-se até ao horizonte, até ser um borrão luminoso. É um mar de luz artificial e de gente a fingir. Com ovelhas e lobos, a floresta de prédios erguendo-se como pilares de uma catedral iluminada pela glória, os receios do desconhecido e os rumores misteriosos, o dia eterno e a noite nos espíritos. Lisboa é a utopia adormecida que os ventos do passado já não acordam.

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Acidente em Calisto

por Luís Naves, em 15.11.15

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Fiz uma experiência: pedi à Norma para ler as notícias em algumas dezenas de publicações online e escolher três que considerasse mais relevantes. A Norma resistiu, disse que não estava programada para fazer essas escolhas, mas convenci-a com um argumento decisivo:

— Estás programada para satisfazer as minhas necessidades? Pois, não tenho tempo para me informar e preciso deste teu serviço.

Ela levou quinze minutos a concluir a tarefa e saiu-se de forma positiva. A primeira notícia que escolheu tinha a ver com um motim de refugiados num bairro periférico da cidade. Não houve qualquer violência, mas os bangladeshis estavam agitados e só se acalmaram depois de chegarem os serviços sociais. Perguntei à Norma a razão da escolha e ela encolheu os ombros, fez um beicinho encantador e disse que havia ali muita gente, por isso devia ser importante. A segunda notícia era um crime passional: um fulano de mau-porte matou uma amiga e houve a investigação do caso. Culpa indiscutível, motivo do crime por estrangulamento: ciúmes. O caso era tão raro que até a mim interessou, mas a Norma explicou de outra forma a sua escolha:

— Nunca compreenderei porque é que os humanos se matam uns aos outros. Só a ideia já é terrível!

Fiquei comovido com a inocência dela e respondi-lhe que provavelmente os humanos têm defeitos de fabrico. Pedi-lhe então que enunciasse a terceira escolha e era sobre um acidente em Calisto, onde a explosão acidental de um tanque de hidrogénio matou oito astronautas, um deles humano, cujo erro aliás provocou a explosão. Não sei o que me deu: senti a necessidade de ser sarcástico, disse que ela tinha tido pena dos sete robôs destruídos:

— Compaixão, não foi? Solidariedade entre máquinas...

Norma fez uma expressão de impaciência, o que não é habitual no seu modelo:

— Escolhi a notícia porque o acidente atrasa os planos de colonização do sistema de Júpiter.

O que sendo verdade, não seria jamais a minha motivação para justificar o interesse. Só encontrei a explicação racional dela própria acreditar no que estava a dizer.

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Milénio

por Luís Naves, em 11.11.15

Dentro de alguns anos comemora-se o milénio da fundação de Portugal, mas temo que as comemorações não sejam memoráveis. O milénio pode ser celebrado em 2128 (mil anos da Batalha de São Mamede) ou em 2143 (reconhecimento do reino), conforme a interpretação, mas este será um assunto para especialistas, o que não impossibilita a realização de várias festas populares de arromba. O problema é que as pessoas deixaram de sentir as nações e a palavra pátria tornou-se um termo antiquado e caiu em desuso. Pensar hoje uma nação não faz sentido, pois o nacionalismo é um conceito considerado perverso e os corpos políticos só se justificam como grandes alianças entre povos e culturas diferentes.

Ao lançar-me a escrever este texto, tinha planeado uma grande explicação sobre Portugal e o seu destino, a sua sobrevivência de quase mil anos: enfim, falta tão pouco para chegarmos ao número redondo. No entanto, à medida que surgiam as palavras, percebi que o meu entusiasmo era um anacronismo. O que somos hoje? Parte menor da Europa, ou seja, um território no segundo nível, sem acesso ao verdadeiro poder e influência do núcleo duro. Caímos nesta situação secundária nos primeiros trinta anos do século passado, quando se acelerou a integração dos antigos países da Europa Central (da então chamada UE, agora a Federação). Somos um parceiro menor na grande aliança da Eurásia e a única vantagem da nossa posição internacional são as boas relações com o bloco sul-americano que, escusado será dizer, está do “outro lado”, ou seja, muito mais próximo dos Estados Unidos da América do Norte. Se houvesse um conflito entre os dois grandes blocos mundiais, a nossa situação de relativa periferia europeia seria um contratempo. Resumindo, Portugal existe em nome, tem uma identidade própria, mas diluída em relativa mediocridade estratégica.

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Alexis

por Luís Naves, em 10.11.15

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A festa na mansão de Sintra durou uma semana e o Alexis mostrou o novo quadro, a réplica de um obscuro mestre do expressionismo centro-europeu tardio. Aqueles verdes da tela! O mistério daquelas árvores que parecem fechar-se sobre o enigma das casas ao fundo! Tive profunda inveja. O que o dinheiro compra! O robô-pintor custou uma fortuna, chama-se Vincent, mas é pouco falador. Só há um modelo em Portugal, 45 em todo o mundo. A colecção do Alexis já vai em dez quadros clássicos, todos cópias precisas dos originais, incluindo as telas, as tintas e a pincelada, tudo enfim, à excepção da identificação de Vincent, obrigatória por lei, na parte de trás.

A mansão de Sintra fica isolada na floresta. Tem trinta quartos e um exército de robôs para todas as tarefas. Também há uma família de refugiados que não faz nada, só parece andar por ali, um exotismo adicional, capricho de milionário. A comida estava deliciosa, feita por um chef que é também modelo raro e dispendioso. Alexis tem este defeito: gosta de exibir a riqueza, esbanja a fortuna, é sempre extravagante. Tem ao serviço um filósofo (também só há uma centena de modelos) e acompanhantes lindíssimas, cuja felicidade e beleza enchem os salões de riso.

Nas caves, Alexis instalou a colecção particular. Há ali os mais estranhos objectos que o tempo pode reunir, como relógios mecânicos, brinquedos com duzentos anos, livros e pinturas originais da era industrial. Vi uma velha câmara fotográfica Zorkyn, soviética, do tempo da guerra fria, que ainda funciona. Na visita, Alexis mostrou aos convidados um velho telefone, suponho que do início do século XX. Explicou como funcionava (eu sabia, pois já vi num filme antigo): coloca-se o dedo indicador numa ranhura com o número escolhido e faz-se rodar o disco central do aparelho até ficar preso, largando-se o disco, que volta à posição inicial, depois marca-se outro número (e a maquineta faz re-re-re-re-re). E havia postais, rádios, colecções de cromos, moedas, um cheiro especial de poeira antiga. Espantou-me um jogo de xadrez com peças em madeira e adorei a Zorkyn (restam dez em todo o mundo), que foi mais cara do que o quadro das árvores verdes distorcidas.

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Os filmes de antigamente

por Luís Naves, em 09.11.15

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Um dos temas mais curiosos do velho cinema clássico tinha a designação de western. Para o público de hoje, que quer apenas as sensações fáceis do 3D e das imagens geradas por computador, os filmes de antigamente são difíceis de compreender. Os western, em particular, são quase incompreensíveis.

Nos primeiros cem anos, o cinema foi essencialmente narrativo e os filmes feitos até meados da década de 80 do século XX tinham forte dose de drama. Depois, surgiu a fase digital, quando as imagens se tornaram mais importantes do que o enredo e o cinema desenvolveu carácter industrial centrado na exploração das sensações superficiais e do impacto visual imediato, transformando-se a experiência cultural em algo mais semelhante a uma viagem de montanha-russa. A conversa levava-nos longe, por exemplo ao declínio da literatura de ficção e à importância que no início tinham os actores e os autores dos argumentos, mas devo ser breve e ir ao ponto.

Esta semana estudei uma dúzia de filmes western, quase todos americanos e todos ele do período entre 1939 e 1954. Descobri para meu espanto que este género tinha regras rigorosas e que o seu ‘truque’ estava na definição de um espaço territorial selvagem e sem fronteiras, um espaço fictício, em cujo interior as personagens se deslocavam envolvidas em peripécias que incluíam índios, tiroteios e traições. As personagens habitavam essa geografia e eram quase sempre divididas em bem e mal, caracterizadas pela ânsia de liberdade e de justiça, confrontadas com decisões difíceis e lutas que culminavam num duelo trágico. Os géneros de western e de aventuras espaciais* estiveram ligados por um subtil cordão umbilical, pois todos estes filmes de entretenimento exploraram situações onde havia perigosos forasteiros, tiranias, paixões, crime, sobretudo a sensação de amplitude no espaço envolvente. Tudo aquilo que desapareceu na nossa sociedade.

Estas fantasias são hoje politicamente incorrectas, pois vivemos sob a ideologia dominante de que gozamos de toda a liberdade necessária ao homem. Mas ao ver aqueles filmes antigos, que qualquer cidadão de hoje rejeitaria como velharia insuportável, não deixei de sentir uma ponta de emoção, sem embargo de ver ali a respectiva dose de ingenuidade. E essa emoção funda fez voar o meu imaginário.

 

* O período clássico do western durou entre 1930 e 1980; o período clássico do space opera foi de 1975 a 2030.

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Problemas crónicos

por Luís Naves, em 08.11.15

Para se compreenderem os problemas crónicos da comunidade política e as razões do nosso declínio, é preciso recuar no tempo. A democracia soma mais de 140 anos e teve três períodos, os dois primeiros marcados pelo fim abrupto sob pressão de um efeito externo. A Terceira República era um sistema semi-presidencial que nunca funcionou e não resistiu ao vandalismo ludita dos anos 30; seguiu-se a curta fase presidencial, que teve um único presidente durante 15 anos e não resistiu às alianças que, a partir de 2050, os europeus fizeram com a Rússia e a China; a actual Quinta República é uma democracia parlamentar proporcional, mas mostra sinais de ter degenerado num sistema populista de governo por sondagens, ou seja, onde os políticos obedecem a uma lógica de agradar às maiorias sociológicas das redes sociais, satisfazendo os interesses instalados das suas clientelas. O direito de voto abrange menos de um quinto da população (biológica ou eléctrica) e num parlamento com 15 partidos, a formação de governos é um jogo de conveniências, contagem simples de likes. Esta semana houve um referendo e só este mês já foram organizados cinco, em temas fúteis. Este sistema privilegia a eleição de políticos sem vontade própria, que se limitam a perguntar ao povo qual a decisão mais popular. Penso que isto nos condena à irrelevância. A nossa comunidade condena-se a viver na periferia do corpo político da Eurásia, sem os capitais e a tecnologia da Europa Central, sem os recursos físicos da Rússia, sem a força humana da China. Pertencemos ao bloco económico mais poderoso do mundo, mas somos uma parte perfeitamente dispensável, olhada até com certo desprezo.

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O regresso da moda barroca

por Luís Naves, em 07.11.15

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O estilo barroco está de novo na moda. Casanova, Voltaire e Mozart fascinam os intelectuais e os estilistas. As pessoas gostam de imitar a volubilidade e o erotismo desse tempo de 1700 e tal, a leveza e o espírito, a elegância e a fineza. A nossa época imita muitos aspectos do barroco, na maneira de vestir, por exemplo: reapareceram as cores vistosas, as camisas com folhos e mangas rendadas, as calças justas e os casacos longos com cintura fina, sobre um colete que faz sobressair o peito. A única diferença é que a moda feminina do século XVIII seria hoje impossível de repetir, pois as mulheres vestem-se como os homens.

Não temos duelos, é claro, mas a melhor analogia é social, pois somos dez por cento de sofisticados, que vivem numa bolha de conforto, entre festas, solenidade e espectáculo. A nossa vida é idêntica à da corte do Rei Sol, alheada de tudo o resto, apreciando o esplendor e a indolência. Hoje não há reis nem impérios, votamos e escolhemos os líderes, mas os actuais privilegiados são apenas um décimo do total: os refugiados, os deslocados e as máquinas não votam. Como acontecia durante o antigo regime, a nova aristocracia de cidadãos vive das rendas fixas, enriquece ainda mais especulando com a sua fortuna, e nunca cai na pobreza, pois o estado garante o conforto mínimo e a protecção das falências.

A comparação só é abusiva quando pensamos que a aristocracia do século XVIII foi varrida pela revolução, sabendo nós que a maioria proletária, a dos robôs, jamais produzirá uma mudança política. No entanto, a História também ensina que as elites que conseguem criar formas de poder estratificadas acabam por estagnar em posições inflexíveis, deixam de ter incentivo para lutar, envelhecem no posto, por assim dizer, formando super-elites, la crème de la crème, como se convencionou dizer sobre esta gente que se distinguiu antes de aparecer a civilização burguesa.

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Escrita diária

por Luís Naves, em 06.11.15

Ainda pouco falei sobre mim no meu diário, o que suponho constitui falta grave. E, no entanto, a escrita quotidiana aproxima-se do que faço. De uma montanha de informação tento extrair uma pepita dourada cuja singularidade esclareça certos fenómenos. No fundo, busco padrões no interior do espesso nevoeiro da desordem. Hoje em dia, as pessoas produzem informação como se fosse lixo e, se temos máquinas que podem fazer a reciclagem destes materiais da memória, o Estado escolheu confiar uma tarefa adicional a algumas pessoas do meu género, uma espécie de classe de mineiros capaz de mergulhar nas profundezas do tempo para extrair uma interpretação que faça sentido. Pertenço, pois, a uma classe de operários, um grupo desfavorecido.

Sou estudioso do final do século XX e início do XXI, mas sei que os intelectuais não estão na moda e de pouco servem em tempos que apagam o passado. Tento ler o mais possível, procuro imagens que me expliquem aquele mundo antigo. Consulto arquivos e leio livros velhos. No resto do tempo, vivo como os outros: festas, convívio, conversas, passeios, as minhas coisas.

Julgo que este diário é um razoável símbolo do que sou: o que aqui fica é apenas a parte ínfima do que me acontece ou sinto em cada dia. Os dias são feitos de rotinas, pensamentos que passam sem registo, pequenos eventos que logo esquecemos, o alheamento do sono, a reconstrução daquilo que lembramos, mesmo a sua reinvenção. Entre tanta informação semelhante, escolhe-se para a narrativa do diário o que julgamos definir-nos melhor, mas é quase sempre uma banalidade como as outras, o minúsculo equívoco, a mera ilusão de grandeza, a cintilação de um breve instante no gigantesco fogo-fátuo da vida.

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