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Até ao horizonte

por Luís Naves, em 21.11.15

O que escrevo é inútil, sei disso. A pureza não é do nosso tempo. Vivemos numa era em que a verdade passa por mil filtros. Esqueceremos para sempre a dignidade e preferiremos a vida da escravidão, submetidos pela ansiedade, a mentira e a repugnância. Temos a sociedade perfeita, equilibrada, segundo dizem os peritos, clones uns dos outros: só nos mostram o superficial, enquanto nos enganam com entretenimento, como fazem os malabaristas, ao explorarem as imperfeições do olhar. Quando subimos a um lugar elevado, podemos ver esta cidade a expandir-se até ao horizonte, até ser um borrão luminoso. É um mar de luz artificial e de gente a fingir. Com ovelhas e lobos, a floresta de prédios erguendo-se como pilares de uma catedral iluminada pela glória, os receios do desconhecido e os rumores misteriosos, o dia eterno e a noite nos espíritos. Lisboa é a utopia adormecida que os ventos do passado já não acordam.

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