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Milénio

por Luís Naves, em 11.11.15

Dentro de alguns anos comemora-se o milénio da fundação de Portugal, mas temo que as comemorações não sejam memoráveis. O milénio pode ser celebrado em 2128 (mil anos da Batalha de São Mamede) ou em 2143 (reconhecimento do reino), conforme a interpretação, mas este será um assunto para especialistas, o que não impossibilita a realização de várias festas populares de arromba. O problema é que as pessoas deixaram de sentir as nações e a palavra pátria tornou-se um termo antiquado e caiu em desuso. Pensar hoje uma nação não faz sentido, pois o nacionalismo é um conceito considerado perverso e os corpos políticos só se justificam como grandes alianças entre povos e culturas diferentes.

Ao lançar-me a escrever este texto, tinha planeado uma grande explicação sobre Portugal e o seu destino, a sua sobrevivência de quase mil anos: enfim, falta tão pouco para chegarmos ao número redondo. No entanto, à medida que surgiam as palavras, percebi que o meu entusiasmo era um anacronismo. O que somos hoje? Parte menor da Europa, ou seja, um território no segundo nível, sem acesso ao verdadeiro poder e influência do núcleo duro. Caímos nesta situação secundária nos primeiros trinta anos do século passado, quando se acelerou a integração dos antigos países da Europa Central (da então chamada UE, agora a Federação). Somos um parceiro menor na grande aliança da Eurásia e a única vantagem da nossa posição internacional são as boas relações com o bloco sul-americano que, escusado será dizer, está do “outro lado”, ou seja, muito mais próximo dos Estados Unidos da América do Norte. Se houvesse um conflito entre os dois grandes blocos mundiais, a nossa situação de relativa periferia europeia seria um contratempo. Resumindo, Portugal existe em nome, tem uma identidade própria, mas diluída em relativa mediocridade estratégica.

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