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O regresso da moda barroca

por Luís Naves, em 07.11.15

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O estilo barroco está de novo na moda. Casanova, Voltaire e Mozart fascinam os intelectuais e os estilistas. As pessoas gostam de imitar a volubilidade e o erotismo desse tempo de 1700 e tal, a leveza e o espírito, a elegância e a fineza. A nossa época imita muitos aspectos do barroco, na maneira de vestir, por exemplo: reapareceram as cores vistosas, as camisas com folhos e mangas rendadas, as calças justas e os casacos longos com cintura fina, sobre um colete que faz sobressair o peito. A única diferença é que a moda feminina do século XVIII seria hoje impossível de repetir, pois as mulheres vestem-se como os homens.

Não temos duelos, é claro, mas a melhor analogia é social, pois somos dez por cento de sofisticados, que vivem numa bolha de conforto, entre festas, solenidade e espectáculo. A nossa vida é idêntica à da corte do Rei Sol, alheada de tudo o resto, apreciando o esplendor e a indolência. Hoje não há reis nem impérios, votamos e escolhemos os líderes, mas os actuais privilegiados são apenas um décimo do total: os refugiados, os deslocados e as máquinas não votam. Como acontecia durante o antigo regime, a nova aristocracia de cidadãos vive das rendas fixas, enriquece ainda mais especulando com a sua fortuna, e nunca cai na pobreza, pois o estado garante o conforto mínimo e a protecção das falências.

A comparação só é abusiva quando pensamos que a aristocracia do século XVIII foi varrida pela revolução, sabendo nós que a maioria proletária, a dos robôs, jamais produzirá uma mudança política. No entanto, a História também ensina que as elites que conseguem criar formas de poder estratificadas acabam por estagnar em posições inflexíveis, deixam de ter incentivo para lutar, envelhecem no posto, por assim dizer, formando super-elites, la crème de la crème, como se convencionou dizer sobre esta gente que se distinguiu antes de aparecer a civilização burguesa.

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