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Poeira das estrelas

por Luís Naves, em 30.01.16

Se eu não passasse de um desejo, da meditação de uma máquina, de simples hipótese de existência? Por vezes, dou comigo a pensar nestes mistérios, nos enigmas do tempo, nos acasos da ausência e naquilo que se vai transformando em distância, como se houvesse na mais simples essência algo que nos é retirado da alma e deixado em estado de cinza. As minhas memórias diluem-se numa espécie de névoa, embaraçosas e grotescas. Talvez elas nem existam verdadeiramente. Se não pensar, esqueço-me de quase tudo, como se não tivesse vivido. O somatório de momentos fragmentados será talvez um prolongado sonho que não deixa qualquer rasto do que se sonhou, apenas a impressão de ter sonhado, de ter dormido, de andar às voltas na cama, tentando dormir ainda mais intensamente e sonhar ainda mais profundamente, apenas mais um pouco. Assim, o que vivi pode não ter sido muito mais do que impressões fantasiadas por uma máquina adormecida, que desejou ter uma existência imperfeita de vida humana, inatingível, quase sem se aperceber que saía da sua condição inanimada numa catadupa de breves momentos efémeros, tal qual a poeira das estrelas.

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