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Problemas crónicos

por Luís Naves, em 08.11.15

Para se compreenderem os problemas crónicos da comunidade política e as razões do nosso declínio, é preciso recuar no tempo. A democracia soma mais de 140 anos e teve três períodos, os dois primeiros marcados pelo fim abrupto sob pressão de um efeito externo. A Terceira República era um sistema semi-presidencial que nunca funcionou e não resistiu ao vandalismo ludita dos anos 30; seguiu-se a curta fase presidencial, que teve um único presidente durante 15 anos e não resistiu às alianças que, a partir de 2050, os europeus fizeram com a Rússia e a China; a actual Quinta República é uma democracia parlamentar proporcional, mas mostra sinais de ter degenerado num sistema populista de governo por sondagens, ou seja, onde os políticos obedecem a uma lógica de agradar às maiorias sociológicas das redes sociais, satisfazendo os interesses instalados das suas clientelas. O direito de voto abrange menos de um quinto da população (biológica ou eléctrica) e num parlamento com 15 partidos, a formação de governos é um jogo de conveniências, contagem simples de likes. Esta semana houve um referendo e só este mês já foram organizados cinco, em temas fúteis. Este sistema privilegia a eleição de políticos sem vontade própria, que se limitam a perguntar ao povo qual a decisão mais popular. Penso que isto nos condena à irrelevância. A nossa comunidade condena-se a viver na periferia do corpo político da Eurásia, sem os capitais e a tecnologia da Europa Central, sem os recursos físicos da Rússia, sem a força humana da China. Pertencemos ao bloco económico mais poderoso do mundo, mas somos uma parte perfeitamente dispensável, olhada até com certo desprezo.

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