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Roma imperial

por Luís Naves, em 11.01.16

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Escrevi aqui sobre as parecenças entre o mundo contemporâneo o do século XVIII, mas o Alexis, em conversa, afirmou que a melhor analogia é com a Roma imperial. A ideia não deixa de ter fundamento, pois a nossa sociedade é constituída por uma aristocracia que se dedica ao poder e por uma classe média que vive mais ou menos na ociosidade, havendo depois os não-cidadãos (entre nós os migrantes) e os escravos, as máquinas inteligentes. Tal como acontecia em Roma, onde os ricos podiam ter centenas de escravos, um milionário actual possui habitualmente um pequeno exército de robôs, enquanto uma pessoa da classe média tem apenas dois ou três. O Alexis tem 56, eu tenho apenas dois, sendo isso que distingue as classes sociais (no caso, um herdeiro rico e um pequeno intelectual).

Ao contrário de Roma, os nossos escravos não se importam de o ser, mas isso não impede tensões sociais, sobretudo por causa dos migrantes e refugiados, a classe de não cidadãos e biscateiros, representando dois terços dos habitantes de Lisboa, mas com escassos direitos políticos: os migrantes que não estejam desocupados dedicam-se a pequenos serviços e controlam as actividades ilegais, incluindo o homicídio, mas sobretudo querem tornar-se cidadãos e procuram por todos os meios conquistar um lugar ao sol. Existe ainda outra semelhança, diz o Alexis: os cidadãos trabalham pouco e têm subsídios garantidos, geralmente empregos inúteis ao serviço da burocracia do estado. Em troca, elegem os partidos aristocráticos, que dominam o verdadeiro poder. Até existe a semelhança do desporto favorito ser igualmente brutal nas duas sociedades, entre nós sem humanos à mistura. Os desportos antigos extinguiram-se (há cem anos, toda a gente apreciava futebol) perdendo qualquer graça com o desenvolvimento de humanos melhorados; agora, vemos os robôs a espatifarem-se uns aos outros em combates. Enfim, é igualmente preciso entreter as massas e ventilar a sua agressividade e descontentamento. E as máquinas não se importam de morrer, ou assim o julgamos.

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2 comentários

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De roulette betclic a 14.01.2016 às 10:18

Será nessa altura o futebol já não fará mesmo sentido? Será que as máquinas vão ser capazes de transmitir a mesma emoção que os humanos quando praticam um desporto? :)
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De Luís Naves a 14.01.2016 às 18:09

Boa pergunta...

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