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Sonho lento

por Luís Naves, em 02.12.15

Faz-me impressão pensar naquelas pessoas que gastaram o bem precioso e raro da vida a perseguir quimeras de orgulho e vaidade. Acabaram todas da mesma maneira, primeiro como más memórias, depois no esquecimento. Porventura será demasiado tarde, mas a humanidade tende para o aperfeiçoamento, pois que a ‘bondade’ não é sobretudo um valor, antes uma estratégia de sobrevivência capaz de prolongar a nossa duração por umas centenas de milhares de anos ou porventura uns milhões. Enfim, algures no futuro, a nossa espécie irá extinguir-se também, como acontece com todas as espécies, que podem em certo ponto da sua existência perder a vitalidade necessária à luta pela vida, a extinção pelo desinteresse, que é uma mera hipótese de longevidade, perante a alternativa da extinção pelo excesso. Um dia, seremos todos esquecimento e, depois, as civilizações humanas deixarão de existir, ficando apenas as suas ruínas engolidas pela paisagem. E a própria espécie humana desaparecerá nas camadas inferiores, apagando-se os seus rastos, o que pensaram e escreveram em vão tantas pessoas, o que aprenderam e construíram, até que um dia o próprio planeta Terra será incinerado na sua órbita, isto antes do sistema solar se extinguir, para dar lugar a uma próxima geração de estrelas que, por sua vez, brilhará durante biliões de anos, antes de se apagar por seu turno, na prolongada noite do universo, a chamada eternidade, que talvez não seja muito mais do que o sonho lento de um deus indiferente.

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